O destaque do artigo de “Olheiro” de hoje vai para Carlos Granja, um atleta de 21 anos que joga desde os 5 anos. Joga como defesa direito na Mocidade S. Gemil.

Entrevista a Carlos Granja – #5 Olheiro Crónicas da Bola

Boas Carlos, como é que te sentes por vir a ser entrevistado pelo Crónicas da Bola? É a tua primeira entrevista ou já és um experiente no assunto?

Sim, é a minha primeira entrevista, a fama nunca foi o meu forte.

1º – Com que idade começaste a jogar futebol?

Comecei a jogar aos 5/6 anos na Escola de Futebol 115 – agora Associação Desportiva Escola de Futebol 115, mas na altura não era um clube. Entretanto queria algo diferente e aos 13 anos entrei pela primeira vez num clube, o Castêlo da Maia. Mais tarde, tive uma curta passagem pelo Padroense, voltei à Escola de Futebol 115 no 2º ano de juniores – no campeonato jogávamos pela Mocidade Sangemil – e foi este último clube que me deu a oportunidade de jogar como sénior, até aos dias de hoje.

2º – Como é que surgiu esta paixão?

No início, surgiu quase como obrigação pela médica de família porque quando era pequeno foi-me diagnosticado um princípio de asma e ela recomendou fazer exercício. Os meus pais puseram-me no futebol porque já gostava na altura e também porque dois vizinhos e amigos na infância já jogavam futebol… na Escola de Futebol 115.

3º – Qual é o teu clube de eleição?

O meu coração só tem uma cor, azul e branco!

4º – Qual foi o teu melhor momento como adepto de futebol?

Tenho vários, até porque já vi o meu clube ser campeão europeu – nem toda a gente tem esse privilégio, pena ser muito novo na altura e, por isso, ter poucas lembranças -, sendo que aquele sobre o qual me lembro de mais pormenores é o famoso golo do Kelvin aos 92 minutos, em que estava a ver o jogo com amigos, e em que alguns deles são benfiquistas. Foi muito bom!

5º – Já tens alguns anos nas pernas, qual foi a melhor experiência no futebol?

A melhor experiência que tive foi o ano em que estive no Padroense – 1º ano de juniores – em que aprendi muito a nível táctico, evolui tecnicamente e vivi o dia-a-dia de um clube altamente profissional em tudo o que faz.

6º – Já tiveste alguma lesão grave? Se sim, fala-nos sobre ela.

Sim, infelizmente já tive várias entorses nos tornozelos, sendo que maior parte delas foi no 1º ano de juniores. Sinto que contribuiu muito para o insucesso desse ano, ao nível de minutos jogados e na possível permanência no clube. Felizmente, é algo que foi ultrapassado até aos dias de hoje, muito graças ao contributo dos fisioterapeutas do Padroense – esta semana soube do falecimento, já há 2 anos, de uma das pessoas que mais me ajudou na recuperação, conhecido como “Sr. Nélson”, notícia essa que me abalou e queria deixar aqui os meus sentimentos à família.

(Caso tenhas tido alguma lesão grave, o que é que te ajudou para aprender sobre ela? A evoluir?)

Durante esse período de lesão, aprendi vários métodos de recuperação que até àquele momento não sabia que existiam – e preferia continuar sem saber, mas são ossos do ofício.

7º – Este ano como é que está a correr a época?

Esta época está a ser muito produtiva, é a época de séniores em que estou a jogar mais e, acima de tudo, a equipa está a render mais e estamos a lutar pela subida de divisão na 2ª Divisão Distrital do Porto.

8º – Em que posição jogas? Sempre jogaste aí, ou mudaste ao longo do tempo?

Jogar não jogo em nenhuma, faço de conta que jogo (risos). Mais a sério, neste momento sou defesa lateral (direito e esquerdo) mas até chegar aos séniores fui sempre defesa central, exceto no 1º ano de juniores em que fui defesa lateral direito e trinco (médio defensivo).

9º – Houve algum treinador que te marcou em especial?

Claro que sim, mas não posso individualizar. Foram 4 treinadores. Fernando Freitas – treinador/presidente da Escola de Futebol 115 e antigo defesa central do Belenenses, do F.C. Porto, do Portimonense e da Seleção Nacional – e os seus 3 filhos, Fernando “Dito” Freitas, Marco Freitas e Delfim Freitas, porque foram os meus primeiros treinadores e por isso deixaram uma grande marca no meu crescimento como jogador e também como pessoa, pois quando entrei na escola de futebol ainda era muito novo.

10º – Qual foi o teu melhor momento como jogador de futebol?

Foi o momento em que me convidaram a ficar no Padroense, depois de ter tido sucesso nos treinos à experiência. Pelo clube que é, senti que podia ser um momento importante para mim e realmente confirmou-se, porque aprendi imenso, tal como já disse.

11º – Sempre te apoiaram como jogador, ou tiveste muitas pessoas a dizerem-te para não seguires o teu sonho?

Sempre tive o apoio de todos, sem exceção. Os meus pais, colegas, treinadores, todos me apoiam. Claro que, com o passar dos anos, uma pessoa começa a ser mais realista e a perceber que vai ser cada vez mais difícil chegar “lá acima”, mas já se sabe que no futebol não há impossíveis. Há que continuar a trabalhar e esperar ter aquela pitada de sorte que é sempre necessária.

12º – O teu número de camisola, significa alguma coisa para ti? Sempre usaste esse, ou não?

Não sou daqueles que tenho de jogar com determinado número por uma razão específica, e também sei que não é o número que joga. Tanto assim que o meu primeiro número foi o 13, considerado o número do azar pelos preconceituosos. Neste momento, tenho o 21 e já o tenho há 3 anos, desde que me tornei sénior, sendo que na altura a atribuição foi quase aleatória mas entretanto também não vi motivos para mudar. Talvez só volte a mudar de número quando mudar de equipa, se mudar.

13º – Qual foi o teu melhor golo até agora?

Tendo em conta que para mim os golos marcados nos treinos não contam, o melhor golo que marquei foi um cabeceamento ao 2º poste num canto, uma jogada muitas vezes ensaiada nos treinos e, tal como se costuma dizer, “os jogos começam a ser ganhos nos treinos”.

14º – Se pudesses escolher qualquer equipa europeia, qual escolherias para jogar e porquê?

Apesar de gostar e acompanhar os resultados de várias equipas europeias, nenhuma supera o Porto. É um sonho mas, sendo realista, provavelmente não passa disso.

15º – Já tiveste alguma jogada/golo/defesa de sonho?

Sim, tive uma jogada de sonho. Foi uma assistência que fiz esta época. Não tenho a certeza se foi a única da carreira, mas tenho a certeza absoluta que foi a melhor. Tenho o lance bem gravado na memória. Estava do lado direito, vi o meu colega a desmarcar-se no lado esquerdo, a fazer uma diagonal para as costas da defesa contrária, e consegui pôr-lhe a bola nos pés, passando por cima dos centrais. É daqueles momentos que aumenta a confiança de qualquer um.

16º – A tua melhor época, qual foi?

A melhor época, combinando os minutos jogados e os resultados da equipa, foi quando era juvenil de 1º ano, no Castêlo da Maia. No início da época, o treinador Pedro Eusébio – pelo qual tenho grande admiração – disse-me diretamente que, apesar de nos iniciados ter sido sempre titular sendo ele o treinador, era pouco provável que tivesse a mesma quantidade de minutos nessa época, porque havia mais concorrência. Sugeriu que eu fosse para a equipa B para jogar mais vezes mas quis ficar na A na mesma… e no primeiro jogo do campeonato, um dos meus colegas que ia ser titular chegou atrasado, então fui titular no lugar dele. E correu bem. Contra todas as previsões, fui titular a época inteira e lutamos pelo título e respetiva subida de divisão. Infelizmente ficamos em 2º, mas ainda hoje me recordo do mister Eusébio elogiar-me ao longo da época – à frente de toda a equipa – pela decisão que tomei no início da mesma.

17º – Como é que lidas com os treinos, estudos/trabalho e vida pessoal?

Neste momento não há grandes problemas porque tenho um horário laboral definido e não há sobreposição com os treinos, mas nem sempre foi assim, nomeadamente quando estudava. Cheguei a faltar a treinos quando tinha testes/trabalhos para entregar no dia seguinte, mas era algo que evitava ao máximo porque acreditava que era possível conciliar tudo. Felizmente tive sucesso nos estudos, mais que no futebol… até agora.

18º – Agora sobre o Crónicas da Bola. Qual é a tua Crónica de Eleição e porquê?

C.A. e Comédia em Geral, porque é uma forma de aliar o desporto, que é a minha paixão, com divertimento e descontração, sempre importantes.

19º – Pergunta final, o que é que te dá mais gozo cada vez que entras em campo?

Saber que vou com o objetivo de dar o meu melhor em prol da equipa, com o máximo de concentração mas também à procura de divertimento, porque se um jogador não se sentir bem a fazer o que faz, mais vale procurar outra vocação, tal como qualquer outra pessoa que não se sinta bem na sua função. Sou a favor da mudança, principalmente quando algo não está bem. Não vejo razões para a evitar, até porque o mundo está em constante mudança (risos).

 

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